14 maio, 2013
11 novembro, 2012
Máscaras
José queria ser alguém na vida.
Para alegria dele, conseguiu ser ninguém.
Ninguém e todo mundo.
No Japão há uma lenda antiga
De uma máscara de teatro Kabuki
Que passou a ser chamada de máscara de carne.
De tanto usá-la
ela passava a ser sua cara.
Já João, por outro lado, não gostava de sua vida existencialista.
Sem querer ele fingia ser como ele queria ser.
Vivendo uma mentira já que o mundo não lhe aprazia.
Ele fingia ser como ele queria ser para cada pessoa.
O João filho, o João amante, João amigo comediante, João etc.
Um, Nenhum ou Cem Mil.
Então João se perguntou -Quem desses sou eu?
João, o filho, não podia ser João, o comediante de humor negro.
João, o amante, não podia ser João, o fracote.
Ninguém o conhecia enfim.
26 anos se passaram e ninguém o conhecia ainda.
Para alegria dele, conseguiu ser ninguém.
Ninguém e todo mundo.
No Japão há uma lenda antiga
De uma máscara de teatro Kabuki
Que passou a ser chamada de máscara de carne.
De tanto usá-la
ela passava a ser sua cara.
Já João, por outro lado, não gostava de sua vida existencialista.
Sem querer ele fingia ser como ele queria ser.
Vivendo uma mentira já que o mundo não lhe aprazia.
Ele fingia ser como ele queria ser para cada pessoa.
O João filho, o João amante, João amigo comediante, João etc.
Um, Nenhum ou Cem Mil.
Então João se perguntou -Quem desses sou eu?
João, o filho, não podia ser João, o comediante de humor negro.
João, o amante, não podia ser João, o fracote.
Ninguém o conhecia enfim.
26 anos se passaram e ninguém o conhecia ainda.
07 novembro, 2012
Camus, de aquário
Como seria agradável,
Se, onde a aparência é fato e a realidade ficção,
Um pouco de ultra-violência fosse viável.
E que meu caso não virasse apenas o de mais um personagem de ação
E me fosse sentenciada a pena inimputável
De um louco perdido na razão.
O estrangeiro
Se, onde a aparência é fato e a realidade ficção,
Um pouco de ultra-violência fosse viável.
E que meu caso não virasse apenas o de mais um personagem de ação
E me fosse sentenciada a pena inimputável
De um louco perdido na razão.
O estrangeiro
28 setembro, 2012
Rascunho
Quanta paz eu teria
Se em minhas memórias
Estivesse escrito
"Encontrou a mulher de sua vida
Se formou em medicina
Ou em engenharias
Ou advocacia"
Mas ao invês disso
Li em um papel (já empardecido)
"Vai ser gauche na vida"
Crasso erro aqui descrevo
"Gauche! Palavra interessante" digo.
gauche(gôx) adj (fr) Esquerdo.
Indivíduo tímido, estranho, deslocado.
E tolo (cabeça-dura)
Desperdiço
Um futuro pavimentado, seguro e testado a exaustão
Por cousas que um papel amarelado prometeu.
Um além
N'uma sociedade
Onde há apenas protagonistas...
Se em minhas memórias
Estivesse escrito
"Encontrou a mulher de sua vida
Se formou em medicina
Ou em engenharias
Ou advocacia"
Mas ao invês disso
Li em um papel (já empardecido)
"Vai ser gauche na vida"
Crasso erro aqui descrevo
"Gauche! Palavra interessante" digo.
gauche(gôx) adj (fr) Esquerdo.
Indivíduo tímido, estranho, deslocado.
E tolo (cabeça-dura)
Desperdiço
Um futuro pavimentado, seguro e testado a exaustão
Por cousas que um papel amarelado prometeu.
Um além
N'uma sociedade
Onde há apenas protagonistas...
30 julho, 2012
Sessão de RPG
Vamos fazer uma sessão de RPG. Uma sessão expresso fast-food.
Você entra numa taverna e você fica refletindo como você odeia pessoas que desrespeitam quem gosta de doce de leite. Você quer mudar isso pois machuca as pessoas que gostam do doce. Suas opções são: ir para a frente de batalha e mudar uma a uma cada pessoa que você vê desonrando o momento sagrado do doce-de-leite;
ganhar poder para ou proibir o desrespeito ao doce de leite ou para criar movimentos incentivando a importância do doce de leite, se tornando assim alguem almejado, primeiro pelo seu poder (dinheiro ou cargo para criar leis ou movimentar pessoas), segundo por você querer uma mudança (deve haver uma máfia, ou no mínimo muita gente que não aprecia o comércio do doce de leite em detrimento do comércio de leite-moça por exemplo);
sendo o exemplo contrário, mostrando as pessoas que você é um cara filho da puta por desrespeitar o momento com doce de leite, que se dá mal por isso;
por idéias e propagandas.
Propagandas moldaram as pessoas de cada geração e seu modo de pensar (bueno, principalmente adolescentes...).
Idéias combinadas com uma história, filme, propaganda influenciam as pessoas. Ao defrontar o leitor com a opinião e experiências de um personagem o leitor se torna mais simpático às idéias deste.
Os beatniks. Os hippies. O mal do século, os românticos. As religiões se propagaram pela propaganda e pelos livros e suas narrativas, pois poucos viram realmente os atos milagrosos.
O livro O Jovem Werther influenciou uma onde de jovens letrados a cometerem um ato final as suas vidas. Se você consegue tocar alguem a ponto de dar cabo de sua vida, não há influência mais forte.
Hoje em dia os filmes da infância são uns dos mais fortes nesta época de fácil acesso a cultura. A infância, o passado tem a idéia de que é algo melhor que o presente, então diversas idéias de heróis pelos quais torcemos nos filmes infantis muitas vezes são recordados com um sentimento acolhedor (se você não teve uma infância problemática num bordel, é claro).
Lembro de como diversas vezes Hermann Hesse e seus livros me solucionaram diversos conflitos mentais. Gostaria de poder ajudar ao menos pessoas que passam pelas mesmas experiências que passei, como Hermann Hesse ajudou. Mas claro que não tenho capacidade para tanto.
Você entra numa taverna e você fica refletindo como você odeia pessoas que desrespeitam quem gosta de doce de leite. Você quer mudar isso pois machuca as pessoas que gostam do doce. Suas opções são: ir para a frente de batalha e mudar uma a uma cada pessoa que você vê desonrando o momento sagrado do doce-de-leite;
ganhar poder para ou proibir o desrespeito ao doce de leite ou para criar movimentos incentivando a importância do doce de leite, se tornando assim alguem almejado, primeiro pelo seu poder (dinheiro ou cargo para criar leis ou movimentar pessoas), segundo por você querer uma mudança (deve haver uma máfia, ou no mínimo muita gente que não aprecia o comércio do doce de leite em detrimento do comércio de leite-moça por exemplo);
sendo o exemplo contrário, mostrando as pessoas que você é um cara filho da puta por desrespeitar o momento com doce de leite, que se dá mal por isso;
por idéias e propagandas.
Propagandas moldaram as pessoas de cada geração e seu modo de pensar (bueno, principalmente adolescentes...).
Idéias combinadas com uma história, filme, propaganda influenciam as pessoas. Ao defrontar o leitor com a opinião e experiências de um personagem o leitor se torna mais simpático às idéias deste.
Os beatniks. Os hippies. O mal do século, os românticos. As religiões se propagaram pela propaganda e pelos livros e suas narrativas, pois poucos viram realmente os atos milagrosos.
O livro O Jovem Werther influenciou uma onde de jovens letrados a cometerem um ato final as suas vidas. Se você consegue tocar alguem a ponto de dar cabo de sua vida, não há influência mais forte.
Hoje em dia os filmes da infância são uns dos mais fortes nesta época de fácil acesso a cultura. A infância, o passado tem a idéia de que é algo melhor que o presente, então diversas idéias de heróis pelos quais torcemos nos filmes infantis muitas vezes são recordados com um sentimento acolhedor (se você não teve uma infância problemática num bordel, é claro).
Lembro de como diversas vezes Hermann Hesse e seus livros me solucionaram diversos conflitos mentais. Gostaria de poder ajudar ao menos pessoas que passam pelas mesmas experiências que passei, como Hermann Hesse ajudou. Mas claro que não tenho capacidade para tanto.
Sobre a solidão não intencional
Ninguem mais lê blogs. Isso é algo majoritariamente de adolescentes, ou de pessoas que não sabem expôr suas opiniões mas as acham importantes para divulgação. Normalmente quem é o primeiro caso tambem é o segundo caso...
Ainda há os casos de pessoas que necessitam se comunicar, e o fazem de modo diferente via escrita. Talvez de modo mais íntimo, mais claro...
Como o Ugo, a Amanda, etc.
Comecei a escrever pois sentia algum tipo de solidão. Escrevia para me comunicar com alguem desconhecido que me compreenderia perfeitamente, mais que meus conhecidos e amigos, isso instintiivamente. A mania perdurou depois de encontrar mais amigos próximos. Depois vim a descobrir a quem me dirijo quando escrevo.
Ninguem irá ler isto. Ficará guardado no entulho da internet (mais fácil de achar que no entulho de meu pc). E será um histórico de meu pensamento. é como um álbum de fotos, mas melhor e pior. Me recordando do que pensava na época, dos problemas e esperanças.
Acostumei-me a guardar os pensamentos e pouco revelá-los, sendo esse desequilibrio um erro, como todos os desequilíbrios. Acabei me afastando de algumas pessoas sem o querer. E o homem pode ser uma ilha se quiser, mas dói. Bom, quando você quer aprender a lidar com as próprias ações é ótimo, mas pode se fazer isso com calma tambem. Mais calmo e tranquilo é acompanhar o ritmo para não sair do compasso com outros e ir por um caminho errôneo e louco pelo mato.
Me acostumei a agir sozinho, não ter discussões, mas pensar, concluir e tomar atitudes sozinho. Olhava discussões antigamente e uma maioria apenas esperava seu momento para falar, ao invês de escutar. Não desenvolvia idéias em conjunto, mas combatia e anulava a do outro.
Bem, enfim, sempre agi sozinho com minhas atitudes sem comunicar na maioria das vezes, e isso me tornou alguem mais solitário.
Mas isso é um erro. Quando você toma atitudes sozinho, não conversando com o outros lados, não aprendes com outras pessoas mais experientes. E em uma sociedade, onde muita coisa se desenvolve pelo social, não apenas fazer, mas aparentar fazer é importante, pois é uma comunicação para não haver desencontros. Estou me esforçando para ser mais aberto.
Ainda há os casos de pessoas que necessitam se comunicar, e o fazem de modo diferente via escrita. Talvez de modo mais íntimo, mais claro...
Como o Ugo, a Amanda, etc.
Comecei a escrever pois sentia algum tipo de solidão. Escrevia para me comunicar com alguem desconhecido que me compreenderia perfeitamente, mais que meus conhecidos e amigos, isso instintiivamente. A mania perdurou depois de encontrar mais amigos próximos. Depois vim a descobrir a quem me dirijo quando escrevo.
Ninguem irá ler isto. Ficará guardado no entulho da internet (mais fácil de achar que no entulho de meu pc). E será um histórico de meu pensamento. é como um álbum de fotos, mas melhor e pior. Me recordando do que pensava na época, dos problemas e esperanças.
Acostumei-me a guardar os pensamentos e pouco revelá-los, sendo esse desequilibrio um erro, como todos os desequilíbrios. Acabei me afastando de algumas pessoas sem o querer. E o homem pode ser uma ilha se quiser, mas dói. Bom, quando você quer aprender a lidar com as próprias ações é ótimo, mas pode se fazer isso com calma tambem. Mais calmo e tranquilo é acompanhar o ritmo para não sair do compasso com outros e ir por um caminho errôneo e louco pelo mato.
Me acostumei a agir sozinho, não ter discussões, mas pensar, concluir e tomar atitudes sozinho. Olhava discussões antigamente e uma maioria apenas esperava seu momento para falar, ao invês de escutar. Não desenvolvia idéias em conjunto, mas combatia e anulava a do outro.
Bem, enfim, sempre agi sozinho com minhas atitudes sem comunicar na maioria das vezes, e isso me tornou alguem mais solitário.
Mas isso é um erro. Quando você toma atitudes sozinho, não conversando com o outros lados, não aprendes com outras pessoas mais experientes. E em uma sociedade, onde muita coisa se desenvolve pelo social, não apenas fazer, mas aparentar fazer é importante, pois é uma comunicação para não haver desencontros. Estou me esforçando para ser mais aberto.
24 abril, 2012
Quebra
Quebrar: ir a um extremo por acreditar que não tem mais salvação.
Se quebrar: se desesperar e não conseguir mais raciocinar no estado natural.
E ao desesperar se entregar totalmente a um dos dois lados, ou a corrupção, ou a salvação e “purificação”.
O que quebra alguém é a dúvida. O tentar se equilibrar sobre um estado que contrapõe os desejos e exige dedicação e esforço. O seu desejo que contrapõe o seu ideal. A realidade indo contra a idealidade.
Você falhou uma vez, crê que não há mais a delicada pureza. Assim se quebra a incerteza, a dúvida, muitas vezes a esperança, que sempre se equilibra sobre um estado que exige esforço constante para se manter estável.
Se eu quebrasse eu socaria quem quer que fosse. Criança, adulto, mulher ou bandido ou amigos. Bater e bater e bater e bater para acabar minha energia e não conseguir mais manifestar minha raiva.
Iria queimar o mundo devido a minha raiva por não ser o ideal. Criar o meu mundo, onde não dependa de ninguém, e a culpa seja sempre minha. Criar a minha realidade. Virar Alice.
Adeus, pai. Adeus, mãe. Adeus, amigos. Amor, adeus.
Olá, admirável mundo novo...
p.s: O que é a realidade para você? A sua realidade são as sensações e informações que você recebe e interpreta. Então qual a diferença entre realidade que existe mesmo, e uma que você cria? As duas são apenas sua interpretação.
Então, para você, pílula vermelha, ou azul?
Se quebrar: se desesperar e não conseguir mais raciocinar no estado natural.
E ao desesperar se entregar totalmente a um dos dois lados, ou a corrupção, ou a salvação e “purificação”.
O que quebra alguém é a dúvida. O tentar se equilibrar sobre um estado que contrapõe os desejos e exige dedicação e esforço. O seu desejo que contrapõe o seu ideal. A realidade indo contra a idealidade.
Você falhou uma vez, crê que não há mais a delicada pureza. Assim se quebra a incerteza, a dúvida, muitas vezes a esperança, que sempre se equilibra sobre um estado que exige esforço constante para se manter estável.
Se eu quebrasse eu socaria quem quer que fosse. Criança, adulto, mulher ou bandido ou amigos. Bater e bater e bater e bater para acabar minha energia e não conseguir mais manifestar minha raiva.
Iria queimar o mundo devido a minha raiva por não ser o ideal. Criar o meu mundo, onde não dependa de ninguém, e a culpa seja sempre minha. Criar a minha realidade. Virar Alice.
Adeus, pai. Adeus, mãe. Adeus, amigos. Amor, adeus.
Olá, admirável mundo novo...
p.s: O que é a realidade para você? A sua realidade são as sensações e informações que você recebe e interpreta. Então qual a diferença entre realidade que existe mesmo, e uma que você cria? As duas são apenas sua interpretação.
Então, para você, pílula vermelha, ou azul?
18 abril, 2012
Testamento
Encontrei este texto em seu quarto. Estava sobre a escrivaninha. Não tivemos mais conhecimento de seu paradeiro a partir de então. Vi que não levou nada além das próprias roupas do corpo, deixando até mesmo documentos.
Transcrevo a seguir o texto (com todas suas falhas de concordância e gramatica), na esperança de que alguem entenda o que ele quis dizer.
"Meu cérebro tem criado fantasmas, espectros nos quais me força a crer que são solidificados e capacitados para realmente intervir, por vontade própria, na realidade. Na minha realidade e no meu destino. Podem interferir nas minhas esperanças. E é justamente a dúvida, a dúvida do racionalismo, que me levou ao ateísmo, que prefiro me enganar de que é um agnosticismo (dado que nada sabemos da verdade, não temos informações suficientes, e somos incapacitados para tais reflexões), a dúvida que Einstein teve da linearidade do espaço e do tempo, apesar de parecer indubitável a você ao ver o espaço na sua frente, reto. Tudo isso me guiou ao agnosticismo total. Duvide de tudo.
Se mesmo entre filósofos de uma mesma escola há divergências entre sí na determinação da realidade, quem sou eu para assumir verdadeiras em minha visão particular eventos cotidianos que nunca questionei?
E se algo me é importante prefiro tomar todas as ações que me assegurem a segurança daquilo. Pensamentos que surgem da dúvida varrem todas minhas outras reflexões. E se esta minha ação interferir no rumo que isto leva, intervir no meu futuro, apesar de nada estar relacionado diretamente? No máximo no bater de asas de uma borboleta? Como posso voltar a crer naquilo que vejo se a simples colisão de átomos que não consigo ver pode me dar um cancêr? No creo en brujas, pero que las hay las hay.
Como podem querer que eu creia em algo assim? Estou a afastar me demais do método científico. Somente creia naquilo que você pode provar. Mas como provar algo, se os nossos próprios métodos se baseiam em concepções da limitada racionalidade humana? O nosso método científico é um instrumento auto-referente. Ele sempre se mostrará em concordância consigo mesmo. Poderei então provar pelo método científico que o Sol irá sempre surgir em um novo dia apenas porque até agora ele surgiu todos os dias anteriores sem exceção? E a super-nova e sua consequente morte estelar? Será que meus métodos apenas distorcem-se para se mostrarem sempre corretos entre sí, mas não como a verdade está? Inclusive, a lógica simples do humano serve para todos os casos? Veja, 1+1 será sempre 2? Pareceria uma pergunta tola, mas pegue 1 metro e some mais 1 metro. Isso dará 2 metros. Mas apenas nas nossas condições atuais. E próximo a 3.10^8m/s? é como a água. Somente a altura do mar ela evapora a 100ºC.
No fim devo me basear na minha realidade, a qual acredito e é meu presente. Afinal, se uma árvore cair no meio da floresta, mas não houver ninguem para escutá-la cair, ela então não fez som.
Mas não se pode ser egocêntrico de tal modo. O pescador, apesar de crer que para pegar um peixe só depende de sua vara, pode morrer de inanição por alguma mudança climática distante que ele ignora. Do mesmo modo que o natural aumento da temperatura dos oceanos matou o grandioso e poderoso megalodon. Algo que ele simplesmente não tinha consciência. Então o homem em sua poderosa racionalidade e lógica pode morrer ou ser estraçalhado em sua frágil esperança por algo que está fora do seu alcance de entendimento. Sem ser visto.
Então é a sina do homem aceitar suas limitações e viver com elas? Ou quebramos barreiras como livros de auto-ajuda e animes nos ensinam? Onde está a loucura dos loucos se não podemos provar que o que eles veêm não existem realmente? Diante de todas as indagações, provou-se de que o que desconheciam, e julgavam impossível, na verdade estava lá. Desde sempre. Que os átomos nos quais eles não creiam na verdade sempre compôs eles e o mundo.
Tenho medo que minha amada me julgue um maluco. Mas como ela mo poderia amar se ela não conhecesse este meu lado? Amanhã, se este texto vingar sobre minha sonolência e ânsia mostrar-la-ei. Vou assumir que ela sabe o que é bom para ela e pra realidade dela. Se ela quiser ficar longe do perigo das indagações deste louco, ela saberá o que é melhor a realidade dela. A felicidade e segurança dela é minha importância.
Tudo o que sei é que nada sei.
Cogito ergo sum"
Tenho começado a questionar o meu cotidiano desde então...
Transcrevo a seguir o texto (com todas suas falhas de concordância e gramatica), na esperança de que alguem entenda o que ele quis dizer.
"Meu cérebro tem criado fantasmas, espectros nos quais me força a crer que são solidificados e capacitados para realmente intervir, por vontade própria, na realidade. Na minha realidade e no meu destino. Podem interferir nas minhas esperanças. E é justamente a dúvida, a dúvida do racionalismo, que me levou ao ateísmo, que prefiro me enganar de que é um agnosticismo (dado que nada sabemos da verdade, não temos informações suficientes, e somos incapacitados para tais reflexões), a dúvida que Einstein teve da linearidade do espaço e do tempo, apesar de parecer indubitável a você ao ver o espaço na sua frente, reto. Tudo isso me guiou ao agnosticismo total. Duvide de tudo.
Se mesmo entre filósofos de uma mesma escola há divergências entre sí na determinação da realidade, quem sou eu para assumir verdadeiras em minha visão particular eventos cotidianos que nunca questionei?
E se algo me é importante prefiro tomar todas as ações que me assegurem a segurança daquilo. Pensamentos que surgem da dúvida varrem todas minhas outras reflexões. E se esta minha ação interferir no rumo que isto leva, intervir no meu futuro, apesar de nada estar relacionado diretamente? No máximo no bater de asas de uma borboleta? Como posso voltar a crer naquilo que vejo se a simples colisão de átomos que não consigo ver pode me dar um cancêr? No creo en brujas, pero que las hay las hay.
Como podem querer que eu creia em algo assim? Estou a afastar me demais do método científico. Somente creia naquilo que você pode provar. Mas como provar algo, se os nossos próprios métodos se baseiam em concepções da limitada racionalidade humana? O nosso método científico é um instrumento auto-referente. Ele sempre se mostrará em concordância consigo mesmo. Poderei então provar pelo método científico que o Sol irá sempre surgir em um novo dia apenas porque até agora ele surgiu todos os dias anteriores sem exceção? E a super-nova e sua consequente morte estelar? Será que meus métodos apenas distorcem-se para se mostrarem sempre corretos entre sí, mas não como a verdade está? Inclusive, a lógica simples do humano serve para todos os casos? Veja, 1+1 será sempre 2? Pareceria uma pergunta tola, mas pegue 1 metro e some mais 1 metro. Isso dará 2 metros. Mas apenas nas nossas condições atuais. E próximo a 3.10^8m/s? é como a água. Somente a altura do mar ela evapora a 100ºC.
No fim devo me basear na minha realidade, a qual acredito e é meu presente. Afinal, se uma árvore cair no meio da floresta, mas não houver ninguem para escutá-la cair, ela então não fez som.
Mas não se pode ser egocêntrico de tal modo. O pescador, apesar de crer que para pegar um peixe só depende de sua vara, pode morrer de inanição por alguma mudança climática distante que ele ignora. Do mesmo modo que o natural aumento da temperatura dos oceanos matou o grandioso e poderoso megalodon. Algo que ele simplesmente não tinha consciência. Então o homem em sua poderosa racionalidade e lógica pode morrer ou ser estraçalhado em sua frágil esperança por algo que está fora do seu alcance de entendimento. Sem ser visto.
Então é a sina do homem aceitar suas limitações e viver com elas? Ou quebramos barreiras como livros de auto-ajuda e animes nos ensinam? Onde está a loucura dos loucos se não podemos provar que o que eles veêm não existem realmente? Diante de todas as indagações, provou-se de que o que desconheciam, e julgavam impossível, na verdade estava lá. Desde sempre. Que os átomos nos quais eles não creiam na verdade sempre compôs eles e o mundo.
Tenho medo que minha amada me julgue um maluco. Mas como ela mo poderia amar se ela não conhecesse este meu lado? Amanhã, se este texto vingar sobre minha sonolência e ânsia mostrar-la-ei. Vou assumir que ela sabe o que é bom para ela e pra realidade dela. Se ela quiser ficar longe do perigo das indagações deste louco, ela saberá o que é melhor a realidade dela. A felicidade e segurança dela é minha importância.
Tudo o que sei é que nada sei.
Cogito ergo sum"
Tenho começado a questionar o meu cotidiano desde então...
13 janeiro, 2012
Objetivos
Estou desconfiado e enfadado. Poderia até dizer que o sou, de tanto tempo que estou nesse perfil.
Muitas vezes afixo o olhar em algo bonito, que desperta um desejo de tê-lo. E então, como não o tenho, e como outras pessoas o tem, e não se dão conta de que ter esse objeto é passageiro, me pego maldizendo tal desejo. Me vem o pensamento de destruição dessas coisas belas, como um protesto a alguém. Não é direcionado ao Deus que criou tais coisas belas, dado que não creio nessa história. É um protesto a mim mesmo.
(Nas ruas, atearia fogo em grandes árvores [que demoraram tempos pra conseguir crescer, tiveram sorte o suficiente pra conseguirem água para ficarem grandes e fortes e se estabilizarem, e a de ninguém pisar em cima quando ainda pequenas]; com meu soco inglês daria socos em alguém a noite por motivo nenhum, um boy, ou drogado; quebraria a janela do hospital abandonado e procuraria algo para roubar)
E então penso, se por acaso possuísse o tal objeto de desejo...me daria por satisfeito? E seria feliz, puramente feliz com aquele objeto. Pois não -concluo- iria procurar outras coisas. Eu teria aquilo, seria parcialmente feliz, mas de desconfiado iria olhar aquilo e pensar "Deve ter coisas mais. Isto é apenas passageiro"
Muitas vezes afixo o olhar em algo bonito, que desperta um desejo de tê-lo. E então, como não o tenho, e como outras pessoas o tem, e não se dão conta de que ter esse objeto é passageiro, me pego maldizendo tal desejo. Me vem o pensamento de destruição dessas coisas belas, como um protesto a alguém. Não é direcionado ao Deus que criou tais coisas belas, dado que não creio nessa história. É um protesto a mim mesmo.
(Nas ruas, atearia fogo em grandes árvores [que demoraram tempos pra conseguir crescer, tiveram sorte o suficiente pra conseguirem água para ficarem grandes e fortes e se estabilizarem, e a de ninguém pisar em cima quando ainda pequenas]; com meu soco inglês daria socos em alguém a noite por motivo nenhum, um boy, ou drogado; quebraria a janela do hospital abandonado e procuraria algo para roubar)
E então penso, se por acaso possuísse o tal objeto de desejo...me daria por satisfeito? E seria feliz, puramente feliz com aquele objeto. Pois não -concluo- iria procurar outras coisas. Eu teria aquilo, seria parcialmente feliz, mas de desconfiado iria olhar aquilo e pensar "Deve ter coisas mais. Isto é apenas passageiro"
18 novembro, 2011
Preso
“-Você não pode emagrecer mais. Para seu corpo, apesar de classificado como obeso na cartilha antiga, seu peso está bom. Na cartilha nova seu peso, sua altura e seu organismo estão de acordo. Se você emagrecer mais pode correr o risco de doenças, e perder uns anos de vida nisso.”
Era isso. Ou ele chegava a uma idade normal e tinha menos prazeres na vida, ou emagrecia, ficava nos moldes, corria o risco de viver bem menos, mas teria os divertimentos da sua geração.
Toda a sociedade o classificava como gordo. E dava pra ver nos olhos de espanto, ou de chacota dos passantes a alcunha de gordinho. Nenhuma garota já o olhou seriamente. Tampouco tinha vivenciado um olhar de sedução, ou de desejo. Só viu em novelas, ou em filmes com musas.
Quando decidiu emagrecer contou o desejo pra sua mãe. Foi quando ela indagou o porquê de estar pedindo pra comprar grãos de soja torrado e granola. Como sua mãe era protetora e insegura, e deu muito comida pra ele quando menor, ela achou que era mais garantido se emagrecer mantendo um controle, então levou-o a um médico pra monitorá-lo e dar os moldes.
“Decidi por fim, agora aos 15 anos que queria emagrecer, porque vejo meus amigos magros, ou até mesmo medianos, se divertirem. Tipo baladas e dançar. Sair com garotas e poder toca-las, acariciar-se nelas. Nunca toquei nenhuma, e nenhuma me tocou por mais tempo que o suficiente para me chamar a atenção e me fazer uma pergunta referente a aula da escola. Nunca senti um acariciar feminino. No máximo minha mãe, ou minhas tias. Mas elas são velhas. Não sinto o frescor da juventude como quando esbarro sem querer numa conhecida de classe. É meio como pêssego, como fala naquelas propagandas de creme hidratante. O momento decisivo foi quando meus amigos decidiram sair entre si e seus flertes, e falaram que praticamente não tinha espaço pra mim, ou que eu ia atrapalhar o andamento. Me senti o único a ser sozinho.
E o momento de decisão mesmo foi quando eu entrei no banho, estava uma água muito quente, e senti como era gostoso. Era como se eu estivesse sendo envolvido por alguém. Imaginei uma garota, delicada, sincera, bonita. Não como uma estrela pop, mas como uma singela garota. Meiga, ingênua. Queria aquilo pra mim, e só poderia viver isso na imaginação? Apenas quando estivesse no banho? Cogitei demorar mais nos banhos, só pra ficar sentindo aquele calor me envolvendo. Mas era um chuveiro, ficaria pobre em um mês. Se ao menos tivesse uma banheira ao invés de um chuveiro...
Foi então que notei o que estava perdendo! Ir em uma balada. Achar uma garota bonita. Me aproximar dela, ela me olhar, sorrir, e passar a dançar voltada pra mim, sorrindo. Sempre. E então poder começar uma relação com ela. Ir a um cinema, me divertir com ela. Ajudá-la com seus problemas. Ir comprar coisas com ela, ou ficar olhando as coisas com ela. Participar com ela dos divertimentos dos meus amigos finalmente. Quanto eu estava perdendo? Decidi que batalharia pra vivenciar aquilo e não morrer sem saber o prazer.
Começou tudo errado quando fui ao médico. O médico disse que eu não poderia emagrecer mais, pois saiu uma nova cartilha falando o quê era saudável. Ser magro não era mais necessariamente ser saudável. A nova cartilha dizia que não eram só altura e peso que contavam agora, mas que também o biótipo do corpo.
E que se emagrecesse poderia correr riscos de anemia, hipoglicemia, etc, que meu corpo ficaria mais vulnerável a invasões, de vírus e tipos, etc. além de diminuir meus anos de vida.
Então é isso o que a vida me reservou? Além de ser motivo de chacota, e ter de batalhar para conseguir os prazeres que os outros garotos conseguem tão facilmente e aproveitam tanto, se eu conseguir tal intento eu sou castigado com menos vida?! Onde está a justiça?!
Porquê eu tinha de ser assim? Porque o mundo tinha de ser assim?! Eu já tinha sofrido o bastante com toda a tiração de sarro, e todas as restrições, e humilhações, e achava eu que merecia mais que isso! Ao invés dos meus amigos que sempre tiveram uma vida tranqüila! E que até se divertiam humilhando me! Sempre magros, sempre convidados pra festas, sempre bonitos, sempre iam em festas. Sempre podiam sair com uma garota! Tinham por vezes até duas garotas querendo ficar com um deles! E eu com nada?! Só podia voltar pra casa! Ficar vendo novela com meus pais?! Depois reler Harry Potter e dormir!
Eles têm tudo o quê eu queria, e eu tenho nada! O quê ganhei? Eu merecia menos? O quê eles fizeram pra merecer?!
!!
.!.!
.......
...............
Inerte...
Preso em uma jaula...
Ou o prazer simples e morte mais cedo. Ou continuar a chacota, e ser um pária social excluído do prazer.”
O garoto passava pelo dilema primário do suicida. Ou continua sofrendo, ou pode terminar mais rapidamente tudo.
Era isso. Ou ele chegava a uma idade normal e tinha menos prazeres na vida, ou emagrecia, ficava nos moldes, corria o risco de viver bem menos, mas teria os divertimentos da sua geração.
Toda a sociedade o classificava como gordo. E dava pra ver nos olhos de espanto, ou de chacota dos passantes a alcunha de gordinho. Nenhuma garota já o olhou seriamente. Tampouco tinha vivenciado um olhar de sedução, ou de desejo. Só viu em novelas, ou em filmes com musas.
Quando decidiu emagrecer contou o desejo pra sua mãe. Foi quando ela indagou o porquê de estar pedindo pra comprar grãos de soja torrado e granola. Como sua mãe era protetora e insegura, e deu muito comida pra ele quando menor, ela achou que era mais garantido se emagrecer mantendo um controle, então levou-o a um médico pra monitorá-lo e dar os moldes.
“Decidi por fim, agora aos 15 anos que queria emagrecer, porque vejo meus amigos magros, ou até mesmo medianos, se divertirem. Tipo baladas e dançar. Sair com garotas e poder toca-las, acariciar-se nelas. Nunca toquei nenhuma, e nenhuma me tocou por mais tempo que o suficiente para me chamar a atenção e me fazer uma pergunta referente a aula da escola. Nunca senti um acariciar feminino. No máximo minha mãe, ou minhas tias. Mas elas são velhas. Não sinto o frescor da juventude como quando esbarro sem querer numa conhecida de classe. É meio como pêssego, como fala naquelas propagandas de creme hidratante. O momento decisivo foi quando meus amigos decidiram sair entre si e seus flertes, e falaram que praticamente não tinha espaço pra mim, ou que eu ia atrapalhar o andamento. Me senti o único a ser sozinho.
E o momento de decisão mesmo foi quando eu entrei no banho, estava uma água muito quente, e senti como era gostoso. Era como se eu estivesse sendo envolvido por alguém. Imaginei uma garota, delicada, sincera, bonita. Não como uma estrela pop, mas como uma singela garota. Meiga, ingênua. Queria aquilo pra mim, e só poderia viver isso na imaginação? Apenas quando estivesse no banho? Cogitei demorar mais nos banhos, só pra ficar sentindo aquele calor me envolvendo. Mas era um chuveiro, ficaria pobre em um mês. Se ao menos tivesse uma banheira ao invés de um chuveiro...
Foi então que notei o que estava perdendo! Ir em uma balada. Achar uma garota bonita. Me aproximar dela, ela me olhar, sorrir, e passar a dançar voltada pra mim, sorrindo. Sempre. E então poder começar uma relação com ela. Ir a um cinema, me divertir com ela. Ajudá-la com seus problemas. Ir comprar coisas com ela, ou ficar olhando as coisas com ela. Participar com ela dos divertimentos dos meus amigos finalmente. Quanto eu estava perdendo? Decidi que batalharia pra vivenciar aquilo e não morrer sem saber o prazer.
Começou tudo errado quando fui ao médico. O médico disse que eu não poderia emagrecer mais, pois saiu uma nova cartilha falando o quê era saudável. Ser magro não era mais necessariamente ser saudável. A nova cartilha dizia que não eram só altura e peso que contavam agora, mas que também o biótipo do corpo.
E que se emagrecesse poderia correr riscos de anemia, hipoglicemia, etc, que meu corpo ficaria mais vulnerável a invasões, de vírus e tipos, etc. além de diminuir meus anos de vida.
Então é isso o que a vida me reservou? Além de ser motivo de chacota, e ter de batalhar para conseguir os prazeres que os outros garotos conseguem tão facilmente e aproveitam tanto, se eu conseguir tal intento eu sou castigado com menos vida?! Onde está a justiça?!
Porquê eu tinha de ser assim? Porque o mundo tinha de ser assim?! Eu já tinha sofrido o bastante com toda a tiração de sarro, e todas as restrições, e humilhações, e achava eu que merecia mais que isso! Ao invés dos meus amigos que sempre tiveram uma vida tranqüila! E que até se divertiam humilhando me! Sempre magros, sempre convidados pra festas, sempre bonitos, sempre iam em festas. Sempre podiam sair com uma garota! Tinham por vezes até duas garotas querendo ficar com um deles! E eu com nada?! Só podia voltar pra casa! Ficar vendo novela com meus pais?! Depois reler Harry Potter e dormir!
Eles têm tudo o quê eu queria, e eu tenho nada! O quê ganhei? Eu merecia menos? O quê eles fizeram pra merecer?!
!!
.!.!
.......
...............
Inerte...
Preso em uma jaula...
Ou o prazer simples e morte mais cedo. Ou continuar a chacota, e ser um pária social excluído do prazer.”
O garoto passava pelo dilema primário do suicida. Ou continua sofrendo, ou pode terminar mais rapidamente tudo.
21 outubro, 2011
Miséria
Você queria ser um herói, né? Você acha que está se encaminhando em direção a isso. Mas vamos lá, encare. Vai facilitar às coisas pra você. Você vai ver a sí mesmo sem tanta pressão. Sem tanta auto crítica. Sem tanto pesar. Você já fez atos idiotas, burros, vergonhosos. Você é um humano. Não o humano da literatura, ou como nós humanos falamos que são os humanos. Idealizados. Você é um humano como todos nós. Você pensa em sí mesmo. Você não é bondoso ou perfeitamente racional e honrado. Você é um humano como todos os outros que você vê escorregando na rua, se humilhando, roubando misérias pra se drogar. Um humano animal como todos os outros animais.
Você pode tentar pensar, compensando, que todos os outros já fizeram burradas também, e que se você não está acima deles, pelo menos está igual. Mas isso não é sobre eles. É sobre você. Sobre aceitar a realidade sua, não deles. Acertar as contas entre você e seu ideal. Não aceitar o ideal de outras pessoas. Se aceitar. Vamos lá, você nunca será perfeito. Você já errou. E porque você não tinha conhecimento suficiente. Ou porque você é humano, tem desejos, e o mundo exige que aja em tempo. Ou seja, muitas vezes sem planejar. Mas isso também é arranjar uma desculpa. Colocar a culpa no mundo. Que se não fosse pelo mundo e seu tempo você seria perfeito. Você não é. Como humanos ganhamos uma grande habilidade de cérebro privilegiado. Mas isso não significa que com o que temos podemos chegar a tudo o que almejamos. Você nem lembra o quê você comeu no almoço de ontem.
E outra coisa, você não é o herói do mundo. Você não faz a diferença. O que você fez hoje? Almoçou. Conversou sobre um assunto facilmente esquecível. Comprou arroz e feijão. Talvez até um humilde chocolate para sí. Vê? Sua vida não ajuda ninguem. Não muda o mundo. Se você não existisse seria igual. Um cara solitário estaria feliz com sua namorada. Sua namorada não sentiria sua falta, pois teria construído sua vida sem você, que ocupa uma fração pequena na vida dela.
Eu quero me anular.
Esquecer a vida com álcool.
Preencher a minha miséria (a nossa miséria) com o corpo de uma mulher.
Você pode tentar pensar, compensando, que todos os outros já fizeram burradas também, e que se você não está acima deles, pelo menos está igual. Mas isso não é sobre eles. É sobre você. Sobre aceitar a realidade sua, não deles. Acertar as contas entre você e seu ideal. Não aceitar o ideal de outras pessoas. Se aceitar. Vamos lá, você nunca será perfeito. Você já errou. E porque você não tinha conhecimento suficiente. Ou porque você é humano, tem desejos, e o mundo exige que aja em tempo. Ou seja, muitas vezes sem planejar. Mas isso também é arranjar uma desculpa. Colocar a culpa no mundo. Que se não fosse pelo mundo e seu tempo você seria perfeito. Você não é. Como humanos ganhamos uma grande habilidade de cérebro privilegiado. Mas isso não significa que com o que temos podemos chegar a tudo o que almejamos. Você nem lembra o quê você comeu no almoço de ontem.
E outra coisa, você não é o herói do mundo. Você não faz a diferença. O que você fez hoje? Almoçou. Conversou sobre um assunto facilmente esquecível. Comprou arroz e feijão. Talvez até um humilde chocolate para sí. Vê? Sua vida não ajuda ninguem. Não muda o mundo. Se você não existisse seria igual. Um cara solitário estaria feliz com sua namorada. Sua namorada não sentiria sua falta, pois teria construído sua vida sem você, que ocupa uma fração pequena na vida dela.
Eu quero me anular.
Esquecer a vida com álcool.
Preencher a minha miséria (a nossa miséria) com o corpo de uma mulher.
20 outubro, 2011
Volta ao passado
Deparou-se com um guri.
Um garoto parado à frente dele. Era notável que era um garoto tolo, como todos os outros. Lhe era possível sentir; pelo seu jeito de olhar. Seu corpo se tensionou levemente. E meio segundo depois o cérebro compreendeu o baque. O guri que estava na frente dele era ele mesmo. Quando era jovem. Jovem, ignorante e tolo. O guri acenou para ele, e fez um gesto para que o seguisse. Seguiu o. Seguiu o num rumo que o fez repassar e refazer suas atividades e bobagens daquela época. Como se fosse um guri idiota, amigo e companheiro de seu guri mais jovem. Os dois iam e repetiam as mesmas idiotices que ele tinha feito 10 anos atrás. Era idiotia. Não queria voltar no tempo. Esquecer suas memórias e experiências. Mas não podia parar de acompanhar seu eu mais jovem, como hipnotizado. Continuou fazendo idiotices maquinalmente. Queria voltar a ser seu eu futuro com recordações. Sair desse mundo enclausurado de sua infância. Conhecendo tão pouca coisa. Como se ele tivesse saído do ritmo natural. Suas vontades e aspirações eram de adultos, mas se via numa realidade fazendo as coisas limitadas que ela lhe permitia. Por comparação era como se estivesse atrasado pra sí mesmo. A sua festa já tinha terminado, mas estava entrando agora no pula-pula, estava colocando a ficha agora no video game, estava se "divertindo" pra poder passar logo esta fase, e chegar onde a outra festa. Não a festa com bebidas e danças, que vinha logo após a festa com pula-pula, mas ultrapassar rapidamente esta tambem, e finalmente chegar na festa que seu espírito queria estar. Uma festa de reflexões. Procurando oportunidades, conhecer o mundo que tinha locais que ainda não tinha passado por. Onde era natural ele estar, no ambiente de sua idade verdadeira. Com o céu mais amplo. As limitações ainda a perder de vista, pois ainda não tinha experimentado todas as possibilidades do seu tempo. Se sentiria livre por isso. Enquanto que a realidade a qual estava preso ele conhecia tudo. Desenhos a tarde inteira na tevê, achar a escola e picuinhas da escola importantes. Gastar tempo tentando interpretar ações de uma garota, apesar de ser apenas um completo castelo no ar todas as suas interpretações. E saber que vai passar por tudo isso sem uma lembrança sólida. Na verdade, lembrando que não queria guardar uma lembrança sólida desse período. Saber que tudo o que fez foi algo que não resultou em nada. Além de tempo perdido dando voltas iguais dentro da mesma gaiola pequena.
Um garoto parado à frente dele. Era notável que era um garoto tolo, como todos os outros. Lhe era possível sentir; pelo seu jeito de olhar. Seu corpo se tensionou levemente. E meio segundo depois o cérebro compreendeu o baque. O guri que estava na frente dele era ele mesmo. Quando era jovem. Jovem, ignorante e tolo. O guri acenou para ele, e fez um gesto para que o seguisse. Seguiu o. Seguiu o num rumo que o fez repassar e refazer suas atividades e bobagens daquela época. Como se fosse um guri idiota, amigo e companheiro de seu guri mais jovem. Os dois iam e repetiam as mesmas idiotices que ele tinha feito 10 anos atrás. Era idiotia. Não queria voltar no tempo. Esquecer suas memórias e experiências. Mas não podia parar de acompanhar seu eu mais jovem, como hipnotizado. Continuou fazendo idiotices maquinalmente. Queria voltar a ser seu eu futuro com recordações. Sair desse mundo enclausurado de sua infância. Conhecendo tão pouca coisa. Como se ele tivesse saído do ritmo natural. Suas vontades e aspirações eram de adultos, mas se via numa realidade fazendo as coisas limitadas que ela lhe permitia. Por comparação era como se estivesse atrasado pra sí mesmo. A sua festa já tinha terminado, mas estava entrando agora no pula-pula, estava colocando a ficha agora no video game, estava se "divertindo" pra poder passar logo esta fase, e chegar onde a outra festa. Não a festa com bebidas e danças, que vinha logo após a festa com pula-pula, mas ultrapassar rapidamente esta tambem, e finalmente chegar na festa que seu espírito queria estar. Uma festa de reflexões. Procurando oportunidades, conhecer o mundo que tinha locais que ainda não tinha passado por. Onde era natural ele estar, no ambiente de sua idade verdadeira. Com o céu mais amplo. As limitações ainda a perder de vista, pois ainda não tinha experimentado todas as possibilidades do seu tempo. Se sentiria livre por isso. Enquanto que a realidade a qual estava preso ele conhecia tudo. Desenhos a tarde inteira na tevê, achar a escola e picuinhas da escola importantes. Gastar tempo tentando interpretar ações de uma garota, apesar de ser apenas um completo castelo no ar todas as suas interpretações. E saber que vai passar por tudo isso sem uma lembrança sólida. Na verdade, lembrando que não queria guardar uma lembrança sólida desse período. Saber que tudo o que fez foi algo que não resultou em nada. Além de tempo perdido dando voltas iguais dentro da mesma gaiola pequena.
06 outubro, 2011
Pensamentos durante as compras
Bom e velho Róbi...bom e velho Róbi. Era assim que seus conhecidos do trabalho o chamavam. Mas quem era ele realmente? Era apenas um medíocre ser humano.
De acordo com Róbi, o termo 'pensante', dado comumente aos seres humanos, talvez não fosse apropriado para sí. Foi sempre levado pelas situações. Nunca pensara, nunca precisou. Toda a sociedade já ditava o que tinha de fazer. "Tenha uma vida de sucesso. Seja empresário, case com uma bela e desejada mulher. Tenha uma família, e continue trabalhando. Se você se cansar de trabalhar, aposente-se e vá pescar. Em caso de dúvidas procure a religião oficial do Estado."
Não tinha objetivos além de fazer o que lhe parecia normal e comum.
E atualmente continua sendo levado pela situação externa. Estava ilhado na própria loja de comércio que possuía.
Foi pegar na despensa o último pote de geléia de morango (e última comida disponível para ele). Colocou a mão sobre a tampa e começou a forçar para desrrosqueá-la. Enquanto isso refletia sobre sua situação atual.
Tinha com medo de sair para ajudar a enfrentar advogados. Tinha medo de morrer, de ser contaminado, de perecer enquanto ajudava seus semelhantes a continuarem sobrevivendo. Tinha motivos para lutar e tinha motivos para não lutar. Sua família estava ilhada no próprio domicílio. Logo os portões enferrujados da casa iriam tombar perante aquele grupo de advogados na frente dos portões.
Ele tinha um objetivo nessas horas, de acordo com a cartilha. Era lutar feito retardado correndo em direção da sua casa, se possível de jeito emocionante e com lágrimas nos olhos, e assim salvar sua família.
Mas havia uns seres estranhos, querendo matá-lo, ele pensava. Como podia sair por aí se sua pequena existência de 48 anos poderia terminar? Ele não tinha feito todas as coisas que queria.
Porcaria de pote emperrado.
Sua mente tambem lembrava-o que era seu dever como cidadão ir lá e morrer lutando para defender seus semelhantes. Havia milhares de homens corajosos enfrentando os seres, com vigor e coragem. Enquanto ele tinha medo de defender a própria família.
Porra de tampa filha da puta, não abre nem com dentes!
Ele tinha de sair e mostrar que era homem como todos os outros, e que estava à altura de ter uma família própria e de defende-la.
Mas estava lá. Vou morrer comido em 15 minutos. Minha vida termina em quinze minutos.
Tudo o que fiz, que nem foi tanto, vai acabar. Vou deixar de existir, para sempre(!). Não é como se eu fosse dormir um dia, não tivesse sonhos durante o sono, e acordasse um tempo depois, como se eu tivesse deixado de existir durante esse tempo. Eu deixarei de existir para sempre! Sempre é infinito! É grande demais!
Nunca mais estarei no universo, estarei em lugar algum.
Eu que sempre quis ficar deitado dormindo metade das minhas férias. Que considerava privilégio poder dormir ao invês de trabalhar. Vou ter todo descanso que eu queria e não queria. E nunca mais vir trabalhar, sair para andar pelas ruas, cheias de cheiros, visões, brilhos metálicos e outros seres humanos.
Porra de tampa filha da puta!! Eu só quero minha geléia! Deus está contra mim?! Nesta hora ele faz isso comigo?! Nesta hora?! Grande filho da mãe, nem deve existir mas merece minha raiva! Ah, saco, vou tentar com a pá.
E pensar que...eu poderia ter brigado na rua com muitos brutamontes na minha vida. Que eu poderia ter transado com muitos homens na minha vida. Viajar para a África, conviver com o que há lá. Ver o que há de mais miserável. Que eu poderia ter lido Crepúsculo sem me trancar no banheiro, nem sofrer para esconder aquilo. Poderia ter me rebelado contra as coisas e feito traquinas na escola. O que mais falta? ah, eu lembro de tudo o que eu quero fazer antes de morrer. Pular de pára-quedas. Dar um soco no meu vizinho, filho da puta.
Róbi escuta um murmurar em latim em frente à porta de sua lojinha. Fica estático, de volta ao mundo, de seu devaneio. Uns segundos depois escuta muitas vozes falando termos em latim e sobre acordos e contas a pagar. O portão vai se abrindo, se quebrando no meio. Cinco advogados entram no mercadinho de Róbi. Róbi tropeça no chão plano e vai se esgueirando como uma maçã em direção a nenhum lugar em particular. Os cinco advogados são rápidos e logo deglutem bom e velho Róbi. Róbi podia ver sua carteira e seus músculos sendo vasculhados. Róbi ficou vendo sua morte, estático. Uma vista privilegiada da própria morte. Ficou deslumbrado com o desmembrar do próprio corpo, com a idéia de que estava a segundos da morte.
De acordo com Róbi, o termo 'pensante', dado comumente aos seres humanos, talvez não fosse apropriado para sí. Foi sempre levado pelas situações. Nunca pensara, nunca precisou. Toda a sociedade já ditava o que tinha de fazer. "Tenha uma vida de sucesso. Seja empresário, case com uma bela e desejada mulher. Tenha uma família, e continue trabalhando. Se você se cansar de trabalhar, aposente-se e vá pescar. Em caso de dúvidas procure a religião oficial do Estado."
Não tinha objetivos além de fazer o que lhe parecia normal e comum.
E atualmente continua sendo levado pela situação externa. Estava ilhado na própria loja de comércio que possuía.
Foi pegar na despensa o último pote de geléia de morango (e última comida disponível para ele). Colocou a mão sobre a tampa e começou a forçar para desrrosqueá-la. Enquanto isso refletia sobre sua situação atual.
Tinha com medo de sair para ajudar a enfrentar advogados. Tinha medo de morrer, de ser contaminado, de perecer enquanto ajudava seus semelhantes a continuarem sobrevivendo. Tinha motivos para lutar e tinha motivos para não lutar. Sua família estava ilhada no próprio domicílio. Logo os portões enferrujados da casa iriam tombar perante aquele grupo de advogados na frente dos portões.
Ele tinha um objetivo nessas horas, de acordo com a cartilha. Era lutar feito retardado correndo em direção da sua casa, se possível de jeito emocionante e com lágrimas nos olhos, e assim salvar sua família.
Mas havia uns seres estranhos, querendo matá-lo, ele pensava. Como podia sair por aí se sua pequena existência de 48 anos poderia terminar? Ele não tinha feito todas as coisas que queria.
Porcaria de pote emperrado.
Sua mente tambem lembrava-o que era seu dever como cidadão ir lá e morrer lutando para defender seus semelhantes. Havia milhares de homens corajosos enfrentando os seres, com vigor e coragem. Enquanto ele tinha medo de defender a própria família.
Porra de tampa filha da puta, não abre nem com dentes!
Ele tinha de sair e mostrar que era homem como todos os outros, e que estava à altura de ter uma família própria e de defende-la.
Mas estava lá. Vou morrer comido em 15 minutos. Minha vida termina em quinze minutos.
Tudo o que fiz, que nem foi tanto, vai acabar. Vou deixar de existir, para sempre(!). Não é como se eu fosse dormir um dia, não tivesse sonhos durante o sono, e acordasse um tempo depois, como se eu tivesse deixado de existir durante esse tempo. Eu deixarei de existir para sempre! Sempre é infinito! É grande demais!
Nunca mais estarei no universo, estarei em lugar algum.
Eu que sempre quis ficar deitado dormindo metade das minhas férias. Que considerava privilégio poder dormir ao invês de trabalhar. Vou ter todo descanso que eu queria e não queria. E nunca mais vir trabalhar, sair para andar pelas ruas, cheias de cheiros, visões, brilhos metálicos e outros seres humanos.
Porra de tampa filha da puta!! Eu só quero minha geléia! Deus está contra mim?! Nesta hora ele faz isso comigo?! Nesta hora?! Grande filho da mãe, nem deve existir mas merece minha raiva! Ah, saco, vou tentar com a pá.
E pensar que...eu poderia ter brigado na rua com muitos brutamontes na minha vida. Que eu poderia ter transado com muitos homens na minha vida. Viajar para a África, conviver com o que há lá. Ver o que há de mais miserável. Que eu poderia ter lido Crepúsculo sem me trancar no banheiro, nem sofrer para esconder aquilo. Poderia ter me rebelado contra as coisas e feito traquinas na escola. O que mais falta? ah, eu lembro de tudo o que eu quero fazer antes de morrer. Pular de pára-quedas. Dar um soco no meu vizinho, filho da puta.
Róbi escuta um murmurar em latim em frente à porta de sua lojinha. Fica estático, de volta ao mundo, de seu devaneio. Uns segundos depois escuta muitas vozes falando termos em latim e sobre acordos e contas a pagar. O portão vai se abrindo, se quebrando no meio. Cinco advogados entram no mercadinho de Róbi. Róbi tropeça no chão plano e vai se esgueirando como uma maçã em direção a nenhum lugar em particular. Os cinco advogados são rápidos e logo deglutem bom e velho Róbi. Róbi podia ver sua carteira e seus músculos sendo vasculhados. Róbi ficou vendo sua morte, estático. Uma vista privilegiada da própria morte. Ficou deslumbrado com o desmembrar do próprio corpo, com a idéia de que estava a segundos da morte.
29 setembro, 2011
Prosa e escrita
Ontem ouvi um amigo dizer sobre as escritas de outro amigo "As prosas dele são boas, diferentemente do resto da produção.". O que me fez me indagar se seria mais fácil fazer prosa que outros tipos de escrita. Veja bem, qualquer adolescente consegue manter um diário. E diários são compostos de prosa.
E isso é interessante a minha pessoa. Umas pessoas elogiam meus textos. A maioria dos meus elogiados é em prosa (ok, todos são exceto um). Os que não são em prosa tenho uma dificuldade bem maior de compor.
Então, apesar de meu desejo de ser um escritor, na verdade estou mais longe que imaginava de ser um escritor. Ao contrário da imagem que eu tinha antes de mim mesmo, o de alguem que tem certa habilidade para escrita, na verdade sou apenas um jovem comum no quesito Escrita. Os que antes elogiaram meus textos, na verdade não elogiaram minha habilidade de escrita, mas apenas minhas idéias publicadas. Quer dizer, é muita lisonja, que minhas idéias tenham feito um texto se sobressair dentre outros de mesma capacidade literária. Mas ainda assim...
Bem, uma coisa é verdade, eu pouco entendia dos livros considerados clássicos. Me divertia muito mais lendo Harry Potter do que Dostoiévski. Talvez seja realmente correta a minha hipótese de galhofa, que tinha criado apenas pra consolar uma guria que disse não saber escrever. Einstein disse certa vez (aproximadamente) "O que me fez chegar a essa teoria (da relatividade) não foi a inteligência. Aprendi a ler apenas com 9 anos. Meus pais pensaram que eu tinha algum problema. Mas o caso é que devido ao meu desenvolvimento lerdo, aos 20 anos eu mantive uma mente infantil, com a capacidade se maravilhar com pequenas coisas, como a luz, e de ficar pensando em um único tópico por muito tempo.".
Então, a guria tinha dito que não conseguia escrever pois mil pensamentos brotavam quando ela tentava. E se embaralhavam e a distraíam. Talvez minha mente seja mais lerda. Talvez tenha a velocidade lenta da minha escrita, de modo que posso desenvolver meu pensamento enquanto vou transcrevendo-o pro papel. Antes eu me entusiasmava com desafios. Envelhecer é uma coisa peculiar. Com a tranquilidade tambem vem a preguiça de sobrepujar desafios, que antes me encorajava a mostrar a mim mesmo que tenho valor. Não me importo mais se tenho valor ou não, dado que isso não mudará quem sou. Apenas quero divertimento e prazer relaxado.
E isso é interessante a minha pessoa. Umas pessoas elogiam meus textos. A maioria dos meus elogiados é em prosa (ok, todos são exceto um). Os que não são em prosa tenho uma dificuldade bem maior de compor.
Então, apesar de meu desejo de ser um escritor, na verdade estou mais longe que imaginava de ser um escritor. Ao contrário da imagem que eu tinha antes de mim mesmo, o de alguem que tem certa habilidade para escrita, na verdade sou apenas um jovem comum no quesito Escrita. Os que antes elogiaram meus textos, na verdade não elogiaram minha habilidade de escrita, mas apenas minhas idéias publicadas. Quer dizer, é muita lisonja, que minhas idéias tenham feito um texto se sobressair dentre outros de mesma capacidade literária. Mas ainda assim...
Bem, uma coisa é verdade, eu pouco entendia dos livros considerados clássicos. Me divertia muito mais lendo Harry Potter do que Dostoiévski. Talvez seja realmente correta a minha hipótese de galhofa, que tinha criado apenas pra consolar uma guria que disse não saber escrever. Einstein disse certa vez (aproximadamente) "O que me fez chegar a essa teoria (da relatividade) não foi a inteligência. Aprendi a ler apenas com 9 anos. Meus pais pensaram que eu tinha algum problema. Mas o caso é que devido ao meu desenvolvimento lerdo, aos 20 anos eu mantive uma mente infantil, com a capacidade se maravilhar com pequenas coisas, como a luz, e de ficar pensando em um único tópico por muito tempo.".
Então, a guria tinha dito que não conseguia escrever pois mil pensamentos brotavam quando ela tentava. E se embaralhavam e a distraíam. Talvez minha mente seja mais lerda. Talvez tenha a velocidade lenta da minha escrita, de modo que posso desenvolver meu pensamento enquanto vou transcrevendo-o pro papel. Antes eu me entusiasmava com desafios. Envelhecer é uma coisa peculiar. Com a tranquilidade tambem vem a preguiça de sobrepujar desafios, que antes me encorajava a mostrar a mim mesmo que tenho valor. Não me importo mais se tenho valor ou não, dado que isso não mudará quem sou. Apenas quero divertimento e prazer relaxado.
11 setembro, 2011
Reli Memórias Póstumas de Brás Cubas
A aqueles que creêm que ser negro, pobre, gay, doente mental é ser um ser inferior, apresento-vos Machado de Assis. Pobre na infância, mulato, gago, epiléptico. Só não era gay. Mas na história já há homens suficientes (lembrando, já que muitos esquecem [inclusive militantes gays], que eram humanos antes de incríveis ou gays) incríveis que eram gays.
Creio na verdade que essas "dificuldades" (são dificuldades mesmo, pois ser gago ou epiléptico são dificuldades, e ser negro ou gay é tambem uma dificuldade, com a diferença de ser artificial, já que criada pelos humanos antes de existir por sí só), que muitos crêem ser sinal de falta de talento, na verdade são potencializadores desses. Ou, melhor, sumonam os.
Imagine um paraíso. Tudo tranqüilo e ajeitado. Os homens seriam todos medíocres e iguais. Com relação ao paraíso, penso que o pecado original é a verdadeira inauguração da humanidade. Antes dele a humanidade só se fazia estar lá. Não agia. Eva seria a verdadeira emancipadora da humanidade. Tanto amante que exigiu que o homem agisse, mostrasse suas qualidades e se desenvolvesse; enquanto Adão era medíocre, aceitando viver restrito (bem, convenhamos, em defesa de Adão, você se rebelaria contra um deus todo poderoso?). Lembra da frase "Ela te ama se ela quer que você siga suas vontades"? Acho que assim deus na estória pensou "ah, queres desenvolver seus talentos submersos? Então vou mandar-te algo pra desenvolver seus talentos. Vocês agora têm a morte, o trabalho de se sustentar e sobreviver, e de bônus, a dor do parto a você, Eva, que levou meu menino a ser independente de minhas decisões".
Anos atrás um amigo me disse que satanismo não é realmente fazer sacrifícios ou cultos a um bode, mas sim admirar a ciência e o desenvolvimento. A ciência realmente é a indagação sobre o "que pode acontecer se...", muitas vezes em detrimento de certas coisas sagradas, e na maioria das vezes apenas querendo melhorar a vida humana. Eva realmente foi a primeira satanista, nesse conceito. Lembrando que, pela estória, Lúcifer se rebelou contra deus por não aceitar viver sob ordens dele e querer tomar o controle(não só de sua própria existência).
Tendo a oscilar entre procurar novos conhecimentos (pra arranjar uma vida mais divertida, e não ficar ignorante a um aspecto dela), e a sacralizar uns conceitos que estimo muito. Mas agora não tem mais um Pai pra falar o que é certo ou errado, além da sociedade. Minha mente já questiona coisas que antes considerava imutáveis.
Creio na verdade que essas "dificuldades" (são dificuldades mesmo, pois ser gago ou epiléptico são dificuldades, e ser negro ou gay é tambem uma dificuldade, com a diferença de ser artificial, já que criada pelos humanos antes de existir por sí só), que muitos crêem ser sinal de falta de talento, na verdade são potencializadores desses. Ou, melhor, sumonam os.
Imagine um paraíso. Tudo tranqüilo e ajeitado. Os homens seriam todos medíocres e iguais. Com relação ao paraíso, penso que o pecado original é a verdadeira inauguração da humanidade. Antes dele a humanidade só se fazia estar lá. Não agia. Eva seria a verdadeira emancipadora da humanidade. Tanto amante que exigiu que o homem agisse, mostrasse suas qualidades e se desenvolvesse; enquanto Adão era medíocre, aceitando viver restrito (bem, convenhamos, em defesa de Adão, você se rebelaria contra um deus todo poderoso?). Lembra da frase "Ela te ama se ela quer que você siga suas vontades"? Acho que assim deus na estória pensou "ah, queres desenvolver seus talentos submersos? Então vou mandar-te algo pra desenvolver seus talentos. Vocês agora têm a morte, o trabalho de se sustentar e sobreviver, e de bônus, a dor do parto a você, Eva, que levou meu menino a ser independente de minhas decisões".
Anos atrás um amigo me disse que satanismo não é realmente fazer sacrifícios ou cultos a um bode, mas sim admirar a ciência e o desenvolvimento. A ciência realmente é a indagação sobre o "que pode acontecer se...", muitas vezes em detrimento de certas coisas sagradas, e na maioria das vezes apenas querendo melhorar a vida humana. Eva realmente foi a primeira satanista, nesse conceito. Lembrando que, pela estória, Lúcifer se rebelou contra deus por não aceitar viver sob ordens dele e querer tomar o controle(não só de sua própria existência).
Tendo a oscilar entre procurar novos conhecimentos (pra arranjar uma vida mais divertida, e não ficar ignorante a um aspecto dela), e a sacralizar uns conceitos que estimo muito. Mas agora não tem mais um Pai pra falar o que é certo ou errado, além da sociedade. Minha mente já questiona coisas que antes considerava imutáveis.
23 agosto, 2011
comentário
logo mais verei se termino os textos que comecei. os primeiros que comecei a levar mais a sério. gostaria que vocês criticassem as coisas se possível, rapaziada. só preu tentar evoluir e pá.
grazie
grazie
19 agosto, 2011
idéia de porque escrever
como ainda não terminei umas coisas, vá lá. colocarei aqui como sair. foi meu processo de pensamento hoje num intervalo entre cousas.
não queria dar crédito ao rainer maria rilke, sobre aspectos de escrita, mas tenho de admitir que preciso escrever. quando emoções ultrapassam os domínios da mente pra ter reflexos fisiológicos.
não entendia o porquê a necessidade de escrever.
escrever é como uma conversa íntima, entre seu personagem indagador, e seu poder analítico. o quê resulta em um desenvolvimento lógico, entre perguntas e raciocínios lógicos para respostas psicopatas (no sentido de sem intervenção emocional).
é tambem um jeito de ordenar logicamente os pensamentos.
vendo um pensamento, pela lógica você induz qual o próximo pensamento mais lógico pra seguir o caminho.
talvez para isso seja necessário limitar a velocidade de meus pensamentos a velocidade da minha escrita, e assim dê pra perceber, com mais tempo disponível os detalhes de cada idéia. como me sinto em relação a ela, e quais seus detalhes.
e então, nessa conversa interna é como se argumentasse com um monstro revolucionário interno, tentando acalma-lo com a lógica. poder pensar que existe uma justiça por trás dos eventos, que é uma justiça natural. uma causa cria aquela conseqüência.
não queria dar crédito ao rainer maria rilke, sobre aspectos de escrita, mas tenho de admitir que preciso escrever. quando emoções ultrapassam os domínios da mente pra ter reflexos fisiológicos.
não entendia o porquê a necessidade de escrever.
escrever é como uma conversa íntima, entre seu personagem indagador, e seu poder analítico. o quê resulta em um desenvolvimento lógico, entre perguntas e raciocínios lógicos para respostas psicopatas (no sentido de sem intervenção emocional).
é tambem um jeito de ordenar logicamente os pensamentos.
vendo um pensamento, pela lógica você induz qual o próximo pensamento mais lógico pra seguir o caminho.
talvez para isso seja necessário limitar a velocidade de meus pensamentos a velocidade da minha escrita, e assim dê pra perceber, com mais tempo disponível os detalhes de cada idéia. como me sinto em relação a ela, e quais seus detalhes.
e então, nessa conversa interna é como se argumentasse com um monstro revolucionário interno, tentando acalma-lo com a lógica. poder pensar que existe uma justiça por trás dos eventos, que é uma justiça natural. uma causa cria aquela conseqüência.
16 agosto, 2011
segunda feira
tinha raiva, ainda do fato de que não conseguia se ater a suas morais.
faz-se sofrer, pois sua nova moral se baseia em seus erros passados.
mas ainda mantinha uns, que não tinha coragem de negar. ou a necessidade de negar. os quais tinha emocionalmente se ligado, pois são máximas que os próximos haviam lhe legado. não matarás, verás o próximo como um humano, ama teus progenitores, não coloque o cotovelo em cima da mesa, cuide dos teus próximos.
podia aconselhar milhões. inclusive, é bem mais fácil cuidar da vida dos outros. é mais fácil jogar the Sims.
tenho na minha mente o seguinte, se um dia nada der certo e eu me corromper, viro pescador. se isso tambem não der certo, monto uma boy band. se isso tambem não der certo, faço o pecado de fazer um livro de auto-ajuda no qual não mais acredito, e gasto todo o dinheiro, obtido desse pecado, com divertimentos escusos.
sofre, e sofre, e sofre. vamos lá, remix!
não veio nenhum manual de instruções, tinha que criar meu próprio objetivo na vida, o qual é inoficial. pirata. vindo de um folhetim; cujas origens remontam a idade média.
agora a partir deste ponto ele lembra. como se batesse de cara num muro, já que a situação o empurra contra o mesmo (não aquele do elevador. me refiro ao muro). hora de tomar uma decisão se não quiser fazer um remix de músicas emo na playlist. ele sabe que não vale entrar ali. ele, ele, ele, só sabe falar dele. na verdade sou eu mesmo. vale a tentativa de distanciar o protagonista, pra tentar ver a situação de modo mais claro e distanciando a vivência. dói menos. talvez seja mais prático. mas vamos ser sinceros...sou eu mesmo. e talvez vocês devessem saber. não sei porquê, mas acho que é melhor se souberem que sou eu. apesar de que todo tipo de arte é autobiográfico, por mais surreal que seja, vocês já sabem. até mesmo covers. biografias de terceiros tambem.
homens inexperientes se valem de auto mutilação para esquecer dores. já que não dá pra você ir lá e esbofetear umas pessoas, vamos bater em você mesmo, que foi um idiota.
você odeia a realidade. a realidade só é possível pois você está nela. todo homem, mesmo que inexperiente, crê naquela história de que uma árvore não caiu se não havia ninguem pra presenciar ou ser afetado pelo caimento.
foi assim que estrepei minha mão. foi assim que meu amigo conseguiu cortes nos braços. foi assim que minha amiga se humilhou na frente de todos.
foi assim que meu amigo se ressentiu com todos e se tornou um desconfiado. foi assim que cheguei ao niilismo amador.
faz-se sofrer, pois sua nova moral se baseia em seus erros passados.
mas ainda mantinha uns, que não tinha coragem de negar. ou a necessidade de negar. os quais tinha emocionalmente se ligado, pois são máximas que os próximos haviam lhe legado. não matarás, verás o próximo como um humano, ama teus progenitores, não coloque o cotovelo em cima da mesa, cuide dos teus próximos.
podia aconselhar milhões. inclusive, é bem mais fácil cuidar da vida dos outros. é mais fácil jogar the Sims.
tenho na minha mente o seguinte, se um dia nada der certo e eu me corromper, viro pescador. se isso tambem não der certo, monto uma boy band. se isso tambem não der certo, faço o pecado de fazer um livro de auto-ajuda no qual não mais acredito, e gasto todo o dinheiro, obtido desse pecado, com divertimentos escusos.
sofre, e sofre, e sofre. vamos lá, remix!
não veio nenhum manual de instruções, tinha que criar meu próprio objetivo na vida, o qual é inoficial. pirata. vindo de um folhetim; cujas origens remontam a idade média.
agora a partir deste ponto ele lembra. como se batesse de cara num muro, já que a situação o empurra contra o mesmo (não aquele do elevador. me refiro ao muro). hora de tomar uma decisão se não quiser fazer um remix de músicas emo na playlist. ele sabe que não vale entrar ali. ele, ele, ele, só sabe falar dele. na verdade sou eu mesmo. vale a tentativa de distanciar o protagonista, pra tentar ver a situação de modo mais claro e distanciando a vivência. dói menos. talvez seja mais prático. mas vamos ser sinceros...sou eu mesmo. e talvez vocês devessem saber. não sei porquê, mas acho que é melhor se souberem que sou eu. apesar de que todo tipo de arte é autobiográfico, por mais surreal que seja, vocês já sabem. até mesmo covers. biografias de terceiros tambem.
homens inexperientes se valem de auto mutilação para esquecer dores. já que não dá pra você ir lá e esbofetear umas pessoas, vamos bater em você mesmo, que foi um idiota.
você odeia a realidade. a realidade só é possível pois você está nela. todo homem, mesmo que inexperiente, crê naquela história de que uma árvore não caiu se não havia ninguem pra presenciar ou ser afetado pelo caimento.
foi assim que estrepei minha mão. foi assim que meu amigo conseguiu cortes nos braços. foi assim que minha amiga se humilhou na frente de todos.
foi assim que meu amigo se ressentiu com todos e se tornou um desconfiado. foi assim que cheguei ao niilismo amador.
13 agosto, 2011
01:49am
Tinha vontade de chorar. O que fez foi emudecer diante de um copo, modelo pra tomar rum, que continha água de torneira. Observou e assim admirou a transparência do copo, no seu formato. Transparência em si, e da água, não o transparecimento da toalha de mesa. Parecia um idiota.
Bruno disse ter superado seu problema com não ser especial (inclusive, gostei do nome que deram, aquele pessoal da usp. transtorno do protagonista. só não sabiam que transtorno significa outra coisa do que queriam dizer). mas eu duvido muito. aposto que não. inclusive mais, não creio em nenhum, absolutamente nenhum homem que diga que superou algo, ou que mudou algo em sí mesmo. acredito que apenas entopem seus egos de desculpas para se autoenganar e poderem viver felizes. e extremamente peculiar, como até mesmo os mais desconfiados acreditam nas próprias desculpas.
Classifico uns tipos de lágrimas, por experiênciar minha vida. Há as lágrimas que brotam por vergonha, por humilhação. O rosto fica quente e enrubesce, e como se o calor das bochechas expulsasse a água, as lágrimas saem, aumentando ainda mais sua humilhação por não conseguir se conter diante de demonstrações de força e superioridade. Como se admitisse a derrota daquele embate. Quem ainda não mostra lágrimas é porquê não se deixou convencer, como se guardasse para si um motivo para não se convencer com os argumentos do antagonista seu. Mas quando chora, é que percebe a veracidade da argumentação.
Outro tipo são as lágrimas evocadas. Você mais geme e grita e soluça do que derrama lágrimas. Você evoca as lágrimas com seus sons guturais, ou de respiração. É mais a ânsia de gritar em revolta desesperada. E as lágrimas parcas (comparadas com sua revolta) aparecem só pra completar seu estado emocional físico. Não é papel principal o das lágrimas nesse caso.
Tem ainda choro de emoções gratificantes. Alguém quebra a sua rudeza, sua casca impenetrável de emoções de outrem, racional e maquiavélica. Você não esperava, e entra umas dessas coisas, motivadas por ações. Talvez sumonam uma experiência da sua infância.
Ainda há essas, que são peculiares, são vamos chamar com o nome errôneo de lágrimas secas, pois não são lágrimas, pois não chegam a aparecer, mas você sente como se chorasse, e sente a vontade de chorar. São peculiares, porque podem ter um motivo, mas não aparecerem.
(Talvez ele esteja chorando pra demonstrar carência, como umas vezes lágrimas ditas egoístas são para pedir ajuda.
E se talvez for o sentimento infantil de começar a lidar com o mundo adulto? É complexo, e uma mente infantil é mais sensível. Não idiotizada e calejada como a dos já adultos.)
Parem de comparar-me a outras pessoas que já existiram! Eu não sou um humano, sou o qual chamam de Bruno, outro humano! Mesmo sem querer, suas vontades de banalizar emoções, como com medo de se fragilizarem de novo, de eu irromper pelas suas cascas, reviver aqueles seus momentos de vulnerabilidade completa, tentam classificar minhas emoções e reações como as emoções e reações de pessoas que já viveram em outra época que a minha, que eram outras pessoas! Minha vida é única. Mesmo que num tempo passado tenha tido alguém com mesmo genótipo e fenótipo que os meus, ainda ninguém vive o período ou o modo de vida que fui submetido e que interfiro.
Parte principal de sua revolta é que essas classificações interferiam em suas opiniões sobre si mesmo. Duvidava de suas emoções e se perguntava se tinha algo relacionado com o que propunham como classificação. E assim, sem querer enterrava parte das suas emoções, crendo que vivia outras. Por isso, em parte também por querer ser autêntico consigo mesmo, para saber o que quer para ter felicidade autêntica e original, se refugiava de outros. Na noite ou a maioria dorme, sem consciência, ou se entorpece com atividades coletivas, ou drogas. À noite era o único ser humano restante em seu Estado. E nem era um pária, pois não se considerava mais parte de sua espécie, apesar de ser. Fingia que a capacidade racional do humano superava corpos orgânicos. Mas bem, podia até ser considerado uma nova “espécie”. O único dessa nova sociedade, já que todos os que tinham potencial pra isso dormiam.
Que houvesse outros em situação semelhante em outros estados ou países, vivendo e sendo possível o contato via e-mail, não lhe eram aborrecimento mental nem lhe interessavam, pois cultura é algo mui de bairro.
Acho que Freud tem razão quando diz que pais são muito importantes na formação emocional de uma criança. Não entendo bem porquê alguém se preocupa com outros. Ou porquê pais se emotivam por causa de suas crianças.
Por vezes queria se livrar de toda ligação afetiva com outros. Pra não ter de lidar com os problemas da sociedade, e tomá-los como problemas tambem seus.
p.s. quem souber mais tipos de choro, coloca uma descrição nos comentários, ou só coloca o nome que você deu. quero classificar.
Bruno disse ter superado seu problema com não ser especial (inclusive, gostei do nome que deram, aquele pessoal da usp. transtorno do protagonista. só não sabiam que transtorno significa outra coisa do que queriam dizer). mas eu duvido muito. aposto que não. inclusive mais, não creio em nenhum, absolutamente nenhum homem que diga que superou algo, ou que mudou algo em sí mesmo. acredito que apenas entopem seus egos de desculpas para se autoenganar e poderem viver felizes. e extremamente peculiar, como até mesmo os mais desconfiados acreditam nas próprias desculpas.
Classifico uns tipos de lágrimas, por experiênciar minha vida. Há as lágrimas que brotam por vergonha, por humilhação. O rosto fica quente e enrubesce, e como se o calor das bochechas expulsasse a água, as lágrimas saem, aumentando ainda mais sua humilhação por não conseguir se conter diante de demonstrações de força e superioridade. Como se admitisse a derrota daquele embate. Quem ainda não mostra lágrimas é porquê não se deixou convencer, como se guardasse para si um motivo para não se convencer com os argumentos do antagonista seu. Mas quando chora, é que percebe a veracidade da argumentação.
Outro tipo são as lágrimas evocadas. Você mais geme e grita e soluça do que derrama lágrimas. Você evoca as lágrimas com seus sons guturais, ou de respiração. É mais a ânsia de gritar em revolta desesperada. E as lágrimas parcas (comparadas com sua revolta) aparecem só pra completar seu estado emocional físico. Não é papel principal o das lágrimas nesse caso.
Tem ainda choro de emoções gratificantes. Alguém quebra a sua rudeza, sua casca impenetrável de emoções de outrem, racional e maquiavélica. Você não esperava, e entra umas dessas coisas, motivadas por ações. Talvez sumonam uma experiência da sua infância.
Ainda há essas, que são peculiares, são vamos chamar com o nome errôneo de lágrimas secas, pois não são lágrimas, pois não chegam a aparecer, mas você sente como se chorasse, e sente a vontade de chorar. São peculiares, porque podem ter um motivo, mas não aparecerem.
(Talvez ele esteja chorando pra demonstrar carência, como umas vezes lágrimas ditas egoístas são para pedir ajuda.
E se talvez for o sentimento infantil de começar a lidar com o mundo adulto? É complexo, e uma mente infantil é mais sensível. Não idiotizada e calejada como a dos já adultos.)
Parem de comparar-me a outras pessoas que já existiram! Eu não sou um humano, sou o qual chamam de Bruno, outro humano! Mesmo sem querer, suas vontades de banalizar emoções, como com medo de se fragilizarem de novo, de eu irromper pelas suas cascas, reviver aqueles seus momentos de vulnerabilidade completa, tentam classificar minhas emoções e reações como as emoções e reações de pessoas que já viveram em outra época que a minha, que eram outras pessoas! Minha vida é única. Mesmo que num tempo passado tenha tido alguém com mesmo genótipo e fenótipo que os meus, ainda ninguém vive o período ou o modo de vida que fui submetido e que interfiro.
Parte principal de sua revolta é que essas classificações interferiam em suas opiniões sobre si mesmo. Duvidava de suas emoções e se perguntava se tinha algo relacionado com o que propunham como classificação. E assim, sem querer enterrava parte das suas emoções, crendo que vivia outras. Por isso, em parte também por querer ser autêntico consigo mesmo, para saber o que quer para ter felicidade autêntica e original, se refugiava de outros. Na noite ou a maioria dorme, sem consciência, ou se entorpece com atividades coletivas, ou drogas. À noite era o único ser humano restante em seu Estado. E nem era um pária, pois não se considerava mais parte de sua espécie, apesar de ser. Fingia que a capacidade racional do humano superava corpos orgânicos. Mas bem, podia até ser considerado uma nova “espécie”. O único dessa nova sociedade, já que todos os que tinham potencial pra isso dormiam.
Que houvesse outros em situação semelhante em outros estados ou países, vivendo e sendo possível o contato via e-mail, não lhe eram aborrecimento mental nem lhe interessavam, pois cultura é algo mui de bairro.
Acho que Freud tem razão quando diz que pais são muito importantes na formação emocional de uma criança. Não entendo bem porquê alguém se preocupa com outros. Ou porquê pais se emotivam por causa de suas crianças.
Por vezes queria se livrar de toda ligação afetiva com outros. Pra não ter de lidar com os problemas da sociedade, e tomá-los como problemas tambem seus.
p.s. quem souber mais tipos de choro, coloca uma descrição nos comentários, ou só coloca o nome que você deu. quero classificar.
08 agosto, 2011
Existe alguém aí que goste de domingo? Porque né...
introdução: este e o outro chamado "se desse pra mudar algo em você, o que mudaria?" (ou algo assim) são de um exerciciozinho que tenho feito. a motivação é aumentar meu hábito de escrever. vou mudar tambem o estilo conforme o passar do tempo. mas por enquanto, de início está assim.
as perguntas, ou temas estão no título. são feitas por anônimos, ou não, que me mandam e eu respondo. no site http://www.formspring.me/brunokemon
como não estou sempre no estado de escrever, são poucas as "perguntas" que vingam, mas bora.
quando eu tinha 10 anos odiava domingos. era o dia que acontecia deu ficar deprimido ou melancólico, pensando sobre como deve ser a morte, sua e de outras pessoas. foi assim por muito tempo.
a angústia de imaginar não existir pelo resto a eternidade. querer crer em contos de fadas pra conseguir dormir. iludindo-me de que existe vida pós morte apenas pra consegui dormir pra amanhã.
foi quando comecei a me interessar por religiões, ver como outros humanos mais experientes lidaram com isso.
nenhuma, em minha limitada capacidade intelectual me convenceu. cheguei em conclusões próprias, que me permitiram descansar por muito tempo. depois mudei elas, pois com umas experiências que adquiri, certo dia pensei num estalo, que a morte não era a coisa mais importante, preocupante.
tempos depois, (é interessante como a mente age. ao menos a minha. durante o cotidiano, ou antes de dormir, pensando em algumas coisas levianamente, ia seguindo um raciocínio lógico, quase imperceptível ao meu consciente. até que um dia, reunindo todos os caminhos seguidos pela lógica chego a uma conclusão. e fim, temos uma base) lendo mais livros, da literatura considerada clássica, essencial, noto que muitas das minhas idéias próprias batiam com as idéias do budismo. claro, não pensei na idéia de reencarnação e vidas passadas literalmente, como a idéia de que levantando um cajado um cara conseguiu dividir o mar morto literalmente. notei que tais frases serviam como um modo de paródiar as idéias e cabiam perfeitamente.
agora tenho essa "religião" própria (que odeio que chamem assim, pois religião me remete a idéia de crença. você crê naquilo sem que tenha chegado àquilo por averiguação lógica) que me permite planejar meus atos mais sérios de acordo com essa moral.
assim, meu domingo é sussa, eu passo o dia escutando pink floyd ou andando e bike aproveitando o ar poluído, mas vendo o sol brilhar e a grama que ainda existe. ou até sair com amigos, mas aproveitando uma existência bem mais bucólica com relação a minha mente, ou o que chamam de alma.
as perguntas, ou temas estão no título. são feitas por anônimos, ou não, que me mandam e eu respondo. no site http://www.formspring.me/brunokemon
como não estou sempre no estado de escrever, são poucas as "perguntas" que vingam, mas bora.
quando eu tinha 10 anos odiava domingos. era o dia que acontecia deu ficar deprimido ou melancólico, pensando sobre como deve ser a morte, sua e de outras pessoas. foi assim por muito tempo.
a angústia de imaginar não existir pelo resto a eternidade. querer crer em contos de fadas pra conseguir dormir. iludindo-me de que existe vida pós morte apenas pra consegui dormir pra amanhã.
foi quando comecei a me interessar por religiões, ver como outros humanos mais experientes lidaram com isso.
nenhuma, em minha limitada capacidade intelectual me convenceu. cheguei em conclusões próprias, que me permitiram descansar por muito tempo. depois mudei elas, pois com umas experiências que adquiri, certo dia pensei num estalo, que a morte não era a coisa mais importante, preocupante.
tempos depois, (é interessante como a mente age. ao menos a minha. durante o cotidiano, ou antes de dormir, pensando em algumas coisas levianamente, ia seguindo um raciocínio lógico, quase imperceptível ao meu consciente. até que um dia, reunindo todos os caminhos seguidos pela lógica chego a uma conclusão. e fim, temos uma base) lendo mais livros, da literatura considerada clássica, essencial, noto que muitas das minhas idéias próprias batiam com as idéias do budismo. claro, não pensei na idéia de reencarnação e vidas passadas literalmente, como a idéia de que levantando um cajado um cara conseguiu dividir o mar morto literalmente. notei que tais frases serviam como um modo de paródiar as idéias e cabiam perfeitamente.
agora tenho essa "religião" própria (que odeio que chamem assim, pois religião me remete a idéia de crença. você crê naquilo sem que tenha chegado àquilo por averiguação lógica) que me permite planejar meus atos mais sérios de acordo com essa moral.
assim, meu domingo é sussa, eu passo o dia escutando pink floyd ou andando e bike aproveitando o ar poluído, mas vendo o sol brilhar e a grama que ainda existe. ou até sair com amigos, mas aproveitando uma existência bem mais bucólica com relação a minha mente, ou o que chamam de alma.
Assinar:
Postagens (Atom)